terça-feira, 26 de junho de 2012

Trabalho com alunos - EE. Ligabue - Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=OqDa3o3XYn4&feature=g-upl

O vídeo que segue é um trabalho feito pelos alunos e alunas do 2º ano B do grau médio - manhã. O tema, lançado para todos os alunos do médio (todas as classes produziram  e editaram vídeos e pwps sobre o tema) foi baseado no filme-doc.: Quebrando Tabus - sobre a descriminalização da maconha. No doc. personalidades e anônimos dão a sua opinião e comentam sobre a questão do uso da Cannabis e, com estas referências os alunos decidiram ampliar o debate na escola com o fim de clarear um pouco mais as diversas facetas e discursos sobre o tema.
Assistam, pensem, opinem, e se possível vejam o filme.

Que pode ser baixado neste link:
http://www.baixarfilmesgratis.net/download/baixar-quebrando-o-tabu-%E2%80%93-dvdrip-rmvb-nacional-2011/

terça-feira, 27 de março de 2012

Não tem nenhuma graça!

A ESCOLA QUE EDUCA - PUNE! E ASSISTE!

             (desenho de aluno - 8ª. série - escola pública)

São menores de idade. Estão na escola pública. Convivem naturalmente com outros alunos, uns tem índole parecida e pertencem ao mesmo substrato, outros de outras camadas sociais; uns tem família integral, ou seja, constituída conforme os moldes de antigamente e como aprendemos àquela época configurar uma: pai, mãe, irmãos etc, (avós e tios e primos entram nessa). E tem pais que estudaram, uns mais outros menos, que trabalham, são religiosos, tem certas opiniões sobre certas coisas, leem de alguma forma o mundo onde vivem. Outros não os tem, vivem nas periferias, famílias desfeitas ou mal construídas,  aprendem desde cedo que é melhor ter do que ser, até porque suas vidas só reconhecem estes valores e se baseiam num tempo curto - amanhã podem não ter o que comer, o que vestir, podem perder tudo - a síndorme da agoridade é premente, o imediatismo. Acríticos pilham o que podem, quando podem, e se satisfazem momentaneamente. A vida os trata e os leva assim! Como na floresta. Os povos da floresta que me desculpem!

Estes tipos humanos, mas que dificilmente alcançarão a humanidade pretendida, aquela que os tornará um pouco diferentes dos demais seres habitantes do planeta (ainda que tenham a forma antropóide), perambulam por aí, e os vemos (embora não o saibamos identificar pelo rosto) nos ônibus, metrôs, motos ou carrões importados, sempre disfarçados pelo material que os envolve, pela carapaça cambiável dos valores dos bens duráveis, móveis ou imóveis. Alguns até adquirem diplomas. Mas, não deixa de causar espanto quando uma manifestação desta dicotomia social acontece dentro de sua unidader escolar. Organizados, com horários, táticas e estratégias de ação bem delineadas, cada um com função definida e disfarces convincentes. Inteligentes, operantes, atores em um cenário conhecido, cheios de colegas, na mesma sala, nos mesmos corredores, lanchando na mesma cantina. Ali eles são mestres. Estão sendo educados? Dão mostras de sabedoria, esperteza, organização.


DESCREVENDO UM FATO: Tocou o sinal, o professor se esforça e chama, aos berros nos corredores os alunos para a sala de aula (errado, eles já deveriam estar lá - é uma simples troca de professor). Nestas horas todos os alunos saem e se misturam, uns aos outros, numa grande algazarra. Perdem-se minutos preciosos (sempre mais de 15) até fazer com que todos, ou quase todos, retornem e sentem-se em seus lugares. (Não há quem os faça mudar de atitude - a coisa é desrespeitosa e afrontosa - e a ideia é essa mesma: a de um confronto sempre que possível com as 'pretensas autoridades' da escola - professores, funcionários e gestão.  Repreensões, suspensões, conversas com os pais, com os alunos, individualmente, em grupo, aulas com policiais, psicólogos...quase nada dá certo. Há casos e casos, a maior parte perdidos.)

Os alunos entram nas suas salas, enfim - os corredores ficam vazios por alguns minutos - dois alunos, no entanto, saem de uma sala, um deles com uma mochila nas costas e entram noutra sala de onde saíram os colegas para a aula de Educação Física, aula dada na quadra. Sala vazia - aberta! Em poucos minutos roubam celulares, carteiras, cartões de passes escolares e transporte, mp3 e 4, canetas bonitas etc...E depois vão imediatamente até uma outra sala, no andar de baixo e chamam uma menina, aluna do terceiro ano e repassam a 'mercadoria' para ela. Tudo normal, voltam às suas salas, um depois do outro, sem alarde. É o crime organizado que todos falam, que todos conhecem. Onde aprenderam, quem os ensinou? Lembro-me de Ali Babá, dos contos das Mil e uma Noites...Por que os deixaram sair? Como segurá-los em sala? Cada professor libera um cartão verde com seu nome - pode ir ao wc. Mas, eles falsificam os cartões - cada aluno malandro tem, dois... Por que não fecharam as portas das outras salas? Onde estavam os funcionários (a escola tem funcionários para isso?) Tudo foi filmado pelas câmeras de segurança, não há o que discutir. As imagens ficam gravadas na central de operações - a pedido da diretora demoram mais de 15 dias para serem entregues, esfriou...Burocracia?

Viu, a escola pública educa, e as vezes deseduca - e é isso o que acontece no dia a dia deste universo que reúne num só micro espaço a ecologia social e suas cadeias sistêmicas na luta eterna pela sobrevivência - o micro e o macro se espelham e se refletem, cada um na sua dimensão, cada ato com seus atores...Tais alunos deveriam ser expulsos, claro! (Serão?)

Para quem sonhava este é mesmo um universo em desencanto...Teremos solução? Quem a quer? O papel da escola se perdeu? O professor  tem alguma importância na vida das pessoas e da sociedade moderna? Só pensar não adianta nada! Além de assistir o vídeo o estado deveria assistir às escolas, os alunos, às famílias. Mas, isso é função de uma pasta como a da Educação? É função do governo que cobra e recebe impostos...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mathematic – beyond the numbers...



Matemântica - lingual de valores…



Pensei em vários títulos, mas fiquei com estes dois, pois, me parecem, resumem melhor o que pretendi passar enquanto discussão sobre esta ferramenta, chamada nas escolas de disciplina ou matéria, e que tantos odeiam pensar e uns poucos apenas saboreiam.

Chego a entender essa dicotomia – nem todos tem aptidões para os números, dizem! Concordo, em parte, pois penso que todos tem, mas em maior ou menor grau, se é para ficar no que a matemática quer que se entenda dela superficialmente.

Trato-a não como Ciência em si, porque ao seu ensino, propriamente, não se aplica um método científico como o que a tradição impõe e respeita: faz-se uma pergunta para definir o problema, propõem-se hipóteses (palpites e testes a fim de reconhecer os erros possíveis e chegar a um resultado, por eliminação) quais sejam, testar as hipóteses, experienciá-las e concluir, ou, em não se chegando a um consenso, formular outra hipótese e recomeçar... E falo de formular – de fórmula – que vem de forma, dar forma a um pensamento inicial, pequeno, desdobrável e crescente, baseado em números dentro de uma sequência fraseológica que se possa entender: é um discurso numérico que pretende informar ou passar uma informação para chegar/propor uma transformação, a um resultado, a outra realidade.

Existe um ramo, ou uma variante de estudos matemáticos que foge da simples instrumentalização do número, transcende a ferramenta “calcológica” e eleva as relações puramente aritméticas (ou aritimétricas, se preferirem) a uma categoria de busca metafísica, ou metalingüística, para muito além das aparências quantificáveis do número. É a Topologia (não confundam com topografia, por favor!) – um ramo que estuda as abstrações do número e os vê como outros signos de uma outra linguagem, carregados de significações, significados e significantes distintos daqueles que usamos no dia-a-dia para realizar as 4 operações básicas e demais cálculos, tidos por uns com complexos e por outros como brincadeiras. É a análise da aritmologia dos números, das relações entre os ritmos numa sequência de alternância de valores, padrões, velocidades, tonalidades, dimensionalidades que ainda que usem, às vezes, os números como elementos formadores do raciocínio e do discurso, os tem apenas e tão somente como blocos de construção de sentidos, assim como temos as letras em relação às palavras. Ela é presenta na música, na música verdadeira, no ritmo, na harmonia e sua análise, no contraponto, na melodia...O que vale e nos leva a sonhar e a imginar/ver/sentir o paralerlo real é a frase e seu efeito final. E se alguém puder chagar lá com números, tanto melhor. É possível prescindir do instrumento.

Esta é a mágica da realidade matemática que em poucos penetra, ou a poucos abre suas portas e apresenta toda a sua profundidade. Os antigos (desde os pitagóricos - amantes dos números) os chamavam de Matemáticos porque podiam chegar lá – no sonho, na viagem de compreender o mundo pela sequência proposta por números. Quem ficava de fora desta capacidade eram denominados de Acusmáticos, simples mortais incapazes de traduzir a excelência numérica e de transcender à sua aparência de número, de símbolo meramente quantificador, para além de um valor encerrado em si mesmo. É uma das maneiras de se alcançar o sentido da infinitude, aquele que reina supremo no axioma racional de Deus.

A distância entre um (1) e dois (2) é o próprio infinito. Você alcança?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Blog da E.E. João Cônego Ligabue está no ar há mais de um ano já - http://colligabue.zip.net/  - acesse e divirta-se - lá tem de tudo um pouco - escola, cultural, educação, ações de alunos e de professores. O último evento foi o Ligabue Cultural - um dia em que os alunos puderam mostrar sua produção, assistir peças de teatro, tomar lanche, conhecer os trabalhos uns dos outros e participar
de um espaço coletivizado pela feitura do conhecimento. Também aconteceram 2 palestras - a do maestro da USP Eusiel Rêgo e uma mostra especial do Instituto ACCamargo com banners sobre câncer e educação para prevenir. Pais, alounos e pessoal da escola adoraram.

Visite o Blog - vc vai gostar, tenho certeza!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

É TUDO VERDADE! VAI LÁ VER...



No Jardim Ânus e na Vila Esfincter, dois bairros da periferia de São Paulo, ambos colados um no outro e divididos apenas por um córrego mal-cheiroso que carrega os desnecessários de cada qual, estão duas escolas que conheço; pertencem ambas ao estado - às ditas escolas públicas.

Á despeito dos esforços de suas dirigentes, zelozas e ocupadíssimas, em tempo quase integral, as unidades escolares andam no ritmo do desintesesse oficial pelo assunto, pela região, pelas crianças pobres, quero dizer, dos filhos daqueles que não pagam impostos no final do ano porque não tem renda (privilégio das classes médias e altas) ainda que já os paguem embutidos em tudo e qualquer coisa que venham a consumir.

Nestas escolas as crianças entram com seis anos de idade. Algumas nunca viram um lápis, uma caneta e sabem o que é papel apenas porque, uma vez ou outra, vem folhas voando nas ruas, levadas pelo vento, arrancadas de um caderno qualquer ou de uma lata de lixo. Conhecem papel de seda, aquele usado para fazer pipas porque isso é tradição cultural de região sem equipamento social adequado, na qual geralmente residem, ou moram, ou sobrevivem...onde estão as escolas, que um dia foram de madeira, evoluíram para concreto armado, voltaram a ser de latas, foram fechadas, reabertas e hoje são o que são - prédios.

Nos primeiros anos do ensino fundamental, as crianças deveriam ter recebido atenção em creches e brincado com massinha modelar atóxica, desenvolvido algum contato social, aprendido a ocupar coerentemente o espaço e o ambiente à sua volta e a compartilhá-lo com os outros de sua espécie, saber melhor de seu corpo e de como dispor dele em situações dadas e repetidas para o senso comum, e também ter sido apresentado às primeiras letras e números de forma lúdica e saudável. Mas, infelizmente, chegam sem esta bagagem mínima, e tem no máximo noções vagas adquiridas na família, quando tem uma. Passarão os próximos anos do ensino fundamental básico 1 e 2 com o dobro, no mínimo, de dificuldades que as crianças que tiveram acesso às creches e foram cuidados pelas tias, de uma forma ou de outra, melhor do que seriam se tivessem ficado em casa com a vovó doente, o pai desempregado e violento, a mãe perdida e drogada, irmãos de várias cores disputando espaço, comida e atenção com mais violência e agressividade do que o necessário.

Este período, fundamental para o desenvolvimento da pessoa, do ser em si, figura que vai ocupar espaço na sociedade e disputá-lo com outros, está lamentalvelmente perdido e por razões simples de entender. Primeiro porque as professoras deste nível estão formadas para ensinar os neófitos a partir de alguma base - ele deve saber o que é bolinha, ele sabe o que é um risco, um lápis, a cor amarela, a verde, a vermelha etc...Sabe se sentar, toma banho, não é doente, almoça sozinho as refeições que lhe são dadas, não estranha os outros, consegue ficar parado, interage, enfim, apresenta um comportamento adequado para uma criança de sua idade. Mas, nem sempre as crianças que vem deste substrato social e para as quais as professoras foram destinadas e orientadas a ensinar as primeiras letras e números, tem as capacidades cognitivas, psicoemotivas, anatômicas ou humanas preservadas. Às vezes são animaizinhos, abandonados pelos que deveriam cuidá-los. Largados, não se desenvolvem como deveriam.

Mas não saem da escola, porque lá é melhor do que nas ruas, inclusive tem comida! As brigas são contornadas pelos professores e funcionários, de vez em quando a polícia baixa por lá. Tem meninas bonitinhas e meninos engraçadinos. Podem jogar bola com segurança, não passa carro... Enfim, reina uma paz morna, melhor do que a do lar, da casa, quero dizer. Professoras sofrem com isso, claro, pois apesar de tudo, eles continuam agindo lá dentro como agem em suas casas, só tem o sentido de segurança mais apurado, as garantias são maiores do que na rua.  Eis porque voltam. Pode ser que pais um pouco mais responsáveis também os mandem estudar. Pode ser que pais nem tão responsáveis prefiram que eles fiquem na escola mesmo. Muitos trabalham, tem pouco tempo para os filhos. Para quem sobram os cuidados da educação escolar - escolarização - e educação formal, aquela que se deveria ter tido em casa, dada pelos pais? Simples, para os professores que aí acumulam duas funções. Tem de funcionar como pais também, e às vezes dispersam a energia que usariam para os educar seus próprios filhos educando os dos outros, e se espantam quando o seu filho briga na escola, ou cria problemas em sala de aula. Claro, a engrenagem está corrompida e ele só repete os erros desta corrupção. Ah! Ainda tem de cuidar um pouco da saúde, dos bom hábitos, da higienização, ou seja, de tudo o que os pimpolhos não aprenderam em casa.

Haja humanidade! Chega uma hora que junta o péssimo salário, a falta de preparo, as condições estruturais ausentes, a pressão por resultados, o olhar crítico dos superiores, as políticas de redução de cadeiras e espaços educacionais, o espalhafato das mídia sacais, a violência que explode além dos limites toleráveis...os inúteis, indefectíveis e cansativos jogos políticos entre sindicatos e governantes, a ausência de uma crítica e de ações que os norteiem...

Bom, desnecessário dizer que os que mais sofrem com isso são as crianças, os professores e os filhos dos professores, crianças cujos filhos um dia retornarão aos bancos escolares e manterão as coisas como estão, do jeito que estão, numa dança parada que finge sair do lugar. De lá sairão aos 17, 18 anos sabendo muito pouco e estarão prontos para apróxima rodada: "A senhorita aceita esta dança, ou vem cá cachorra!" Depois as estatísticas dizem - os jovens morrem na maior parte das vezes pela violência urbana, envolvidos pelo tráfico de drogas, bebidas alcoólicas, brigas de bares, acidentes de trânsito...Faltou algo? Sim, educação...

Um dado alarmante e em tempo - não existem creches suficientes em São Paulo para mais de 170 mil crianças, filhos dos que não podem pagar impostos no final do ano, embora já os paguem embutidos já em tudo quanto comprem ou consumam...Estamos em 2011...1945 passou há décadas, mas ainda não demos o próximo passo. Os campos de concentração mudaram de nome, de feição e tem muita gente sendo preparada para ocupá-los...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Língua e Lugar


MINHA NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA viva.



Considero interessante a afirmação de que há duas línguas - uma culta, variante normativa, rígida e chegada aos doutos, oficial de bureaux, e uma outra popular, regional, cotidiana e cheia de acentos locais, aquela da feira – diária, a língua do fazer.

Considerar interessante, porém, não significa que concorde com a existência das duas. Creio e ouço, leio e falo apenas uma. A minha. O que gera uma terceira possibilidade que não invalida as anteriores, pois no caso tenta-se reconduzi-las, razoavelmente, senão racionalmente, à unicidade. Imagino, porém, que a variação que se dá em função do lugar, cheia de atributos e uma cor local é abundante, é viva, e assume o momento, resgata o encontro e propicia a comunicação – a única função útil da língua, sendo assim, a matriz da verdadeira língua, a que se fala e permite a comunicação, a troca de sensos e entendimentos e, como ferramenta de liberdade e geração do caráter a personalização do uso, sem abandono ou quebra das estruturas, assume igual valor. Aquela é, portanto, muito mais rica e flexível dada à sua característica e capacidade de se ampliar com a velocidade do pensar e fazer diários, de ajustar-se e apreender para si, conceitual e sonoramente aos elementos presentes, não só ao linguajar humano, à ferramenta, como à sua historicidade, ou seja, o fazer histórico, o ato, à implicação do sentido com a realidade, fruto da relação do seu Eu com o imediato que o cerca, e puxa tanto do raciocínio, quanto do repertório sentimental, emotivo, que difere e acrescenta sentidos outros, às vezes, aos mesmos termos e os torna comuns nas trocas entre interlocutores e ouvintes. Então, construção, co-construção, cooperativa. Desdobra-se e avança pelo e com o outro. A língua acompanha o tempo, e é como um caudal, um rio que flui numa direção, carregada de todos os sentidos possíveis.

A língua só tem futuro, vai em direção a ele, mas vive e progride no presente apoiada no passado.

Esta, que veio de lá em direção ao hoje, logo ao futuro, é a língua culta - o registro - é fria, documental, morta. Mas é a marca do caminho, o traçado, por onde se vem evoluindo desde então, e pelo qual caminham carregando-a todos os que a falam, estudam, acrescentam ou retrogradam, a fim de torná-la o que é.

Este esqueleto originário, milenar, resultado das fusões subatômicas e quânticas de centenas de milhares, talvez milhões, de outros elementos constituintes físicos e imaginários, humanos e inumanos, tangíveis ou não, em torno do qual se forma e avoluma verticalmente esta árvore frondosa e abundante de frutos curiosos e, no mais das vezes, suculentos e cheios de significantes e significados históricos, já está formado, cristalizado – coluna, é a estrutura rígida, ancestral para a qual se volta a atenção todas às vezes em que há dúvidas na direção ou sentido a seguir, e nada há de estranho, assim, no fato de que novos enxertos a ela se vão incorporando e transbordando da cornucópia mágica que formam a língua brasileira de raiz lusitana, transformando-a sem nunca deixar de sê-la, desenvolvendo-a e tornando-a grande, cada vez maior, ao mesmo tempo em que milhares de outros termos vão secando e caindo, sendo abandonados pelo tempo e desuso no caminho, mantendo assim o equilíbrio inteligente que a tudo molda e dá substância no universo. Há, por isso, e no meu ver, muitos brasis. Todo brasileiro falante e praticante da língua e, mesmo os não falantes, carregam um Brasil em si, genomórfico, único e plural, já projetados e ideologizados pelos diversos arquitetos da colônia e que aqui desembarcaram e ainda chegam diuturnamente, acoplados às tecnologias, às práticas mercadológicas e aos interesses comerciais, usando os acentos locais, nos quais localizamos também variantes linguísticas e regionais que arrastam um italianismo, um espanholismo, um indianismo (o tom autóctone), francofonias ou galicismos, teutofonias, anglicanismos e estrangeirismos que resultam em caipirismos diversos, risíveis e motivo de piada entre todos, mas todos também inteligíveis, num momento convergente, brancos, negros, pardos, amarelados e ou avermelhados, nos quais se reconhecem tanto os originais quanto os miscigenados.

Desde que saídos ou intrinsecamente ligados ao tronco principal nunca deixarão de ter a raiz formada a partir do axioma latino, clássico e vulgar e de uma, em si, nova e rica variante - a sintaxe lusitana, por si, também, brotando de raízes distintas. Esse evoluto natural é indiscutível. Não há pureza no sentido estrito do termo na formação desta língua ou de qualquer outra, assim como não há raça pura em humanidade.

E, afinal, ‘antropofagia’ é um dos nossos traços culturais mais marcantes, já visto e ampliado até em conceito, inclusivamente, há muito pelos nossos poetas e mestres, metidos desde então nos imbróglios de suas funções e utilidades.




terça-feira, 30 de agosto de 2011

Video Aula - Escola do futuro no EE Cônego João Ligabue

Aulas do futuro devem ser co-construídas - do conteúdo à formatação de sua apresentação.
Para isso professores orientadores, coordenadores pedagógicos, alunos e demais envolvidos nos processos de educação devem se juntar em um esforço solidário em que todos participam ensinando, aprendendo e compartilhando conhecimentos, saberes e fazeres.

Segue abaixo um link do iutuibi com uma aula feita pelos professores e alunos da escola

http://www.youtube.com/watch?v=MPi-lJmLEYQ
São 5 aulas e um making off animado e divertido - espero que gostem.

o Blog da escola é colligabue.zip.net  - lá também tem muito mais.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

PALAVRA (en)CANTADA

Você assistiu o vídeo que a PCOP Alessandra Redigolo passou na última aula de junho (segunda-feira, 20)? Acho que na sua escola deve haver um exemplar, fale com sua coordenadora.



O que eu abstraí deste vídeo foi o seguinte: tópicos - oralidade - principal característica da cultura popular brasileira - isso vem de longe, dos cancioneiros, trovadores (que ainda existem por este Brasil gigantesco). Quem faz a ponte entre a literatura (nobre arte) e as pessoas que não tem acesso ao letramento e às belas letras é justamente este cancioneiro popular - pela MPB, pelo samba, pelas rodas, os maracatus, as toadas etc.


Curioso, é notar que o círculo se fecha quando os poetas eruditos e os músicos da academia fazem pesquisas e descobrem nesta forma popular, no folklore, as raízes de suas composições mais elaboradas: óperas, concertos, sonatas...Uma reatroalimenta a outra.

Na música erudita operística há o libreto, o texto que narra as ações de personagens e as sequências dos seus atos, em versos ritmados e musicais. Na música popular nordestina, por exemplo, há o cordel que acompanha sempre os cantadores, os emboleiros, os violeiros e tocadores, e neles vemos seus desafios, suas emboladas, como dizem, em que um verseja sobre a deixa do outro, com rima e ritmo.
O discurso poético, assim, ganha corpo e visibilidade, atrai porque amplia a possibilidade de sua percepção, aguça outros sentidos - torna-se audível, musical, e segue-se da imagem de seus apresentadores. Saiu do livro, da forma clássica de fazer, ler e expressar poesia.


Isso vem de longe, já disse! Ópera e teatro, lembram-se? E avançou também tematicamente. Não que antigamente não co(a)ntassem problemas sociais. Eles o faziam sim, arengas entre reis, bispos, príncipes etc. Mas na arte provençal, da Langue D'Oc, os poetas gostavam mesmo é de cantar cantigas de amor, das intrigas das paixões, de amadas reais e ilusórias, estripulias entre casais e amantes e 'cornudos', dores e amores.


Atualmente, ouvimos muito disso nos raps (rap= rythm and poetry: ritmo e poesia - negros 'favelizados' norte-americanos não tinham dinheiro para adquirir instrumentos musicais e compor música - assim, faziam a poesia e a ritmavam sobre batidas e efeitos musicais tirados de aparelhos antigos como vitrolas e vinis - algo parecido com nossos cantadores de côco e emboleiros nordestinos, que usam um pandeiro e um triângulo como suporte à sua criação poética) - e cantam cantigas sociais e de amor - poesia sonora. Boa e barata. A economia como fundamento indutora de uma forma de expressão artística (tanto temática quanto formalmente). Já existia aqui no Brasil bem antes dos negros norte-americanos, claro, nós que somos um país bem mais pobre (apesar de nossos avanços) e veio nesta bagagem cultural de portuguesas, espanhóis, árabes, judeus cristianizados, etc...


Com tudo isso na cabeça eu pensei: 'cara', uma boa seria eu dividir uns grupos nas salas (eu trabalho com o ensino médio) e propor aos alunos a criação de vários raps - dou 3 temas e deixo um de livre escolha - o trabalho será apresentado por todos - eu filmo (a escola tem uma filmadora, oba!) e posto no site/blog da escola - todos fazem sucesso e eu satisfaço a necessidade de terem uma aculturação visual - pois, para eles, é bom se está no vídeo, se está na internet, pois todos terão acesso.

Faça isso na sua escola também - fale com a sua coordenadora e com a sua diretora - a escola é sua, dos alunos, e pode e deve afirmar-se como centro de produção culturtal também, além de ser disseminadora.

Um dia faremos uma disputa intercolegial na Zona Norte2. Quem ganha com isso? Sei lá, tem de ganhar alguma coisa? Se sim, então todos ganham - cada um decide e nomeia seu prêmio.

Democraticamente...

terça-feira, 7 de junho de 2011

ENSAIO - sobre o tempo



Pequeno Ensaio sobre o Tempo.


06/2011 - 17:21h do dia 07

Tempo – É imaterial, não físico, logo, incomensurável : medir o tempo é uma necessidade, só. Físicos medem o tempo a partir de números e cálculos apenas para poder precisar suas operações e validar suas teorias – nada há que comprove sua existência fora de um relógio, de um calendário ou laboratório etc. O tempo é imóvel, não passa, não avança não pára, não sai, não se desloca, não se curva, não flexiona, é intocável, insensível etc... Não é positivo, negativo, neutro, relativo ou inativo, ativo ou retroativo – o tempo e o nada se parecem, mas diferem por que um pretende-se (‘permite-se’) medir, o outro não. Eis que talvez, por isso, os hindús (indús - índios - induz?) inventaram o número zero. Algo para determinar, apontar o nada - zero é igual a nada, ele, o zero, portanto, é algo: o nada. É e não é ao mesmo tempo - Filosofia pura, não? Zero difere de ser, mas existe? E se existe é? Então o que é Ser? Daí que outro grande escritor nos incomodou com O Ser e o Tempo...não estou nem aí - ser + estar + tempo - resume uma vida...
Os deuses não contam o tempo. Talvez nem saibam de sua existência, ou sabem. Talvez o tenham criado para sua diversão própria. Talvez deus seja o tempo - Chronos, como os gregos o chamavam. Os deuses não morrem, por isso não temem ou se ocupam com o tempo, ou o vivem perturbando. Tempo tem tudo a ver com morte - duração - uma ação atualizada é, no agora. A vida é uma ação, ou um conjunto de ações menores. Só existe o agora para os humanos. Este momento. O passado já se foi, não existe mais, apenas as suas consequências, reminiscências, algo que nos remete de volta a ele sem que o tenhamos mais - impalpável, imutável, memória (Mnemosýne - uma das esposas de Zeus), casal que gerou as musas. Os deuses não são jovens ou velhos, são eternos. Eternidade é a idade de sempre, uma só - no passado e no futuro terão sempre a eternidade - é um agora esticado. Difere de infinito, porque este é o que ainda não findou, está se fazendo. Apesar de que, dizem os mitólogos e as lendas, eles podem assumir as feições de qualquer humano, animal ou coisa, jovem ou velho, grande ou pequena. Assim, se refazendo pretendem ou podem fingir e brincar de tempo e de sua passagem por ele sem alterar a própria idade, eternamente.

Já do futuro não preciso nem falar - não existe, é o que todos já sabemos: o resultado deste agora. Seu futuro é terminar este texto e fazer alguma consideração sobre ele. Depois de lê-lo, eu sei, você pensará alguma coisa, pode ser sobre ele ou não, e fará outra coisa logo em seguida. Eu posso prever o futuro? Não, eu faço agora. Mas, os deuses já estão lá, estarão lá. Quando nós chegarmos já estaremos atrasados. Talvez deuses sejam aqueles que podem se deslocar no tempo ou manipulá-lo a seu bel prazer, para a frente e para trás, mas mesmo os deuses não podem desfazer o que já foi feito. Nunca puderam, é o que parece. Padres medievais tinham uma pergunta, uma questão para testar a infalibilidade/potência de Deus ou a sua fé n'Ele: Deus pode recuperar a virgindade de uma mulher? A carne e o espírito. Pode?

O tempo no relógio, o das fábricas e das empresas e seus cartões de ponto é uma conta de divisão e/ou de adição/subtração, dependendo da direção e/ou do sentido que se quer dar à contagem – aritmética pura – mas, ritmo é movimento – ação dividia em intervalos que somados ou não acrescentam numeração ao tempo, possibilitando assim, uma certa sensação de controle sobre ele (números são códigos geradores da sintaxe e da gramática numérica das equações da física - a dança é uma tentativa de controlar o tempo, a música é um exercício de controle mental, espiritual do tempo - materializá-la através de instrumentos foi outra renovada e continuamente fracassada tentativa de se apoderar dele...),  sem o que toda teoria de contabilização da vida cairia por terra – a ideia de poder domar além da natureza. Quem imagina que tem poder sobre o tempo imagina que tem poder sobre os outros. Sua empresa e seu patrão, por exemplo. "Não lhe resta mais tempo" é a frase de efeito mais usada pelos que nada tem de poder ou sabem sobre ele (médicos, juízes, humanos particularmente em geral). Estão (estamos?), de fato, submetidos ao medidor ficcional, ‘virtual’, à máquina que pretende domar ou determinar - marcar o tempo.

Tempo não é físico é metafísico. Não temos controle algum sobre ele, conhecimento algum – Apenas utilizamos os números da matemática para, a partir de certas operações lógicas (tempo é ilógico) obtermos resultados que satisfaçam a nossa curiosidade, às vezes tida como necessidade. Ou faça eco à nossa vontade de poder – ter poder. De olho no relógio, durante toda uma vida! Clepsidras, ampulhetas, de sol, de pulso, de corda, atômicos...o que é e onde estará o tempo? Preso dentro de uma caixinha de metal, como a de Pandora, soltando aos poucos por toda a eternidade, sonhos, dores, fantasmas...ah! o tempo não se resume.

Rugas não são sinais do tempo, são sinais físicos de um organismo que já cumpriu parte de suas funções e este se debilita na medida em que aquelas vão se completando e não se renovando. O tempo é uma medida constante em si, sem valor, sem números, que quando utilizada com variáveis físicas como o espaço (metrificável – mensurável), por exemplo, para se descobrir a velocidade com que um corpo físico se deslocou neste espaço, adquire a conformação ou consistência numérica para poder ser avaliado ou servir de base para outras inferências. Só há tempo com a vida – não há tempo na morte – portanto, não é negativo, cumulativo ou positivo e dispendioso. O tempo não se gasta, nem se perde.

O dia e a noite são apenas movimento do corpo celeste – Terra – e ambos são ‘batizados’ pela ação/presença do Sol e da Lua – outros dois corpos celestes que se movimentam, mas não produzem tempo – o acúmulo dos dias, a somatória de suas aparições que denominamos semana, mês e ano são tão somente exercícios matemáticos usados para nos dar a sensação, a pseudogarantia de que avançamos, vamos à frente, evoluímos no tempo – e se assim for, de fato, esta falsa segurança é a melhor resposta à questão da existência de tempo: se ele existe e se as coisas e as pessoas evoluem, ou passam por ele é porque ele está imóvel, não avança conosco, ou vai em sentido e direções (tem mais alguma dimensão?) contrários – somos nós que ‘historicisamos’ a nossa existência – sua qualidade, apesar de inexistir, requer a nossa apreciação, nosso humor lógico – eis porque nos apaixonamos pelo abstrato, não podemos com ele – nem domar, nem conter, nem deter, possuir, reduzir ou ampliar – na verdade, somos impotentes contra este ‘elemento’ natural e nos tornamos reféns dos inúmeros modos de controle que intentamos impingir-lhe, sem que ele sequer se desse conta deste nosso esforço. Assim tenho trilhões de nano segundos de idade, ou 50 anos, ou 600 meses ou 18250 dias – mera quantificação, numeração da existência, dos quais pouco mais de 1/3 eu passei dormindo – Quanto dá isso, em tempo? No seu cérebro ou no seu relógio? Porque se for falar de tempo tem que falar da vida... e vida, o que é?

http://www.youtube.com/watch?v=z67FsTNpexg&feature=related - Pink Floyd (Time)

sábado, 7 de maio de 2011